A atualidade do pensamento de Roberto Schwarz

Palestra na Unifesp [2017]

Autores

Paulo Eduardo Arantes

Sinopse

“Trata-se apenas de um crítico literário”, esta observação é repetida várias vezes ao longo da fala de Paulo Arantes, observação, aliás, nada ingênua e que coloca o público para pensar nos motivos que o levam a se reunir em torno da figura simples e desajustada de um crítico literário da periferia. Isto porque, ao relembrar a obra de Roberto Schwarz para averiguar a atualidade de seu pensamento, Arantes retoma ao centro de sua fala o papel duplo do crítico na história brasileira. Roberto Schwarz pertence a tradição crítica que ganhou corpo local nos anos em que a ideia de formação era uma obsessão nacional.  Herdeiro, portanto, de certa postura que remonta a figura de Joaquim Nabuco em sua radicalidade temporária em plena escravidão. O surto de “radicalismo” que acomete e forma essa tradição crítica é descrito por Paulo Arantes como parte dos movimentos ascensionais da socialização brasileira capitalista, que visava a construção nacional e a superação mínima do subdesenvolvimento, enquanto críticos ocupados em pensar a sério soluções nacionais dentro da ordem econômica vigente, como se essa fosse nossa única chance. Crítica afirmativa, portanto, que contava com um horizonte de expectativa sempre inflado pela promessa civilizatória. Tudo medido, para Arantes, é a partir da leitura de Antonio Candido, em sua Dialética da malandragem, que Schwarz é posto diante do negativo nacional que revelaria certo ordenamento mundial, de modo que a balança entre a ordem e a desordem, vista na literatura de Manoel Antonio de Almeida, descortinasse para o jovem crítico literário a possível intervenção brasileira em um capítulo internacional. Schwarz que começou sua trajetória fazendo crítica imanente (de fôlego, bom que se diga), ignorando a princípio a matéria local, porém inspirado no que havia de melhor no marxismo Europeu, descobre o negativo da sociedade brasileira e passa a escrever como quem entrega ao capitalismo sua verdade autodestrutiva. Como se Roberto Schwarz estivesse sim amparado por um longo percurso de mediações, mas dá através de seus textos o passo político necessário à crítica: sua radicalidade é a não conciliação. O simples crítico literário, de repente, é o autor da análise de conjuntura mais contundente da ditadura militar, longe da economia, longe da sociologia. Cultura e Política 1964 - 1969 revela ao leitor um processo em curso, que corre às margens do comunismo de caserna do PCB, bem como ao largo das expectativas desenvolvimentistas. Foi também o crítico literário quem ressaltou a luta armada como um dos horizontes possíveis para o Brasil daquela época. A tradição inaugurada por Schwarz é então outra, é do crítico literário de intervenção, capaz de sintetizar alguns pontos de virada entre a imaginação e a sociedade. Por isso, também foi possível a ele destacar Estorvo, de Chico Buarque, como o sismógrafo de uma era de gangsterização e colapso do ideal modernizador. Ele também anunciou um Fim de Século calamitoso que foi recebido como exagero de um marxista catastrofista e que agora se faz sentir por todos, diariamente, no próprio ar que se respira.

 

Roberto Schwarz, ao lado de Antonio Candido, é sem dúvida um dos maiores críticos literários da atualidade. Nesse encontro realizado na Unifesp-Guarulhos em 2017 e organizado por estudantes, temos uma análise do pensamento e importância de Roberto Schwarz nos dias de hoje feita pelos professores Leandro Pasini e Paulo Arantes, com mediação de Sílvio Rosa Filho. Organizadores: Leonardo Sandrin Botelho e Cesar Marins com o apoio do grupo Teoria crítica brasileira -EFLCH

(Resenha de Nathalia Coli)

Palavras-chave: Roberto Schwarz, Antonio Candido, Modernização, Radicalismo, Joaquim Nabuco, Luta Armada, Ditadura Militar, Teoria Crítica, Crítica Literária, Cultura e Política, Dialética da Malandragem, Formação, Caio Prado Jr, Antonio Calado, Lulismo, Colonialismo, Collor, Imperialismo, Militarização, Estorvo, Fim de Século.

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