Ruínas do futuro

A era da formas urbanas extremas [2011 e 2012]

Autores

Otília Beatriz Fiori Arantes

Sinopse

Os dois ensaios que compõem este e-book, “Ruinas do Futuro” e “A era das formas urbanas extremas”, foram redigidos a rigor em continuidade. O primeiro, uma reflexão introdutória ao livro Chai-na — estudo de caso da China como máquina acelerada de crescimento urbano, alavancado pela Olímpiada de 2008. O segundo, uma conferência no ENANPARQ de 2012, tira consequências do que foi esboçado na segunda parte daquele livro, acerca das hiper- ou trans- urbanizações nas grandes cidades (ou aglomerações) asiáticas e africanas, e identifica o contraponto obsceno representado pela proliferação do que Mike Davis e Daniel Monk chamaram de "paraísos do mal". Ambos estudos se completam para fornecer um panorama não só dos contrastes monstruosos que definem o mundo contemporâneo, mas o cenário original do que viria ser chamado de “urbanismo militar” (tempo de cidades sitiadas, escaneadas, de populações-alvo rastreadas, vigiadas, preventivamente contidas e abordadas segundo perfis de risco).

Abrindo o volume, Otília Arantes, para analisar a China e sua fantasia megalômana de um futuro que se quer infinito, foi buscar no passado as aspirações  coletivas, de realização ou superação, que animaram a história da moderna sociedade capitalista, os dreamworlds que embalaram os devaneios de prosperidade das populações a leste e oeste da divisão entre os dois grandes blocos da guerra fria. Quando despertaram desse sonho utópico de produção e consumo de massa, tais populações se depararam com a dureza da dura realidade: de um lado, a gigantesca expansão do “planeta favela” fechando a fronteira urbana, de outro, o recobrimento de suas contradições pelas “follies” do Star System arquitetônico. A evocação de Benjamin, neste primeiro ensaio, está diretamente vinculada à constatação do fenômeno que, no geral, acompanha estes grandes acontecimentos de massa: o sonho coletivo de bem aventurança, felicidade e poder. Desde o século XIX, esta colonização dos sonhos foi um dado que  Benjamin, por mais que apostasse num despertar para a revolução, não ignorava. Hoje, segundo a Autora, a crença de que a remodelagem do mundo pela industrialização-urbanização levaria as massas ao paraíso teria ruído. Duas formas de “mundo de sonho”, comparadas no momento mesmo de um falso despertar, como mostram os dois ensaios, o segundo, tendo como principal referência cidades do chamado terceiro mundo.

Palavras-chave:  China, Dreamworld, Hiperespacialidade, Hiperurbanização, Lagos, Luna Park, Mike Davis, Moscou, Mundos de Sonhos, New York delirante, Paraísos do Mal, Paris, capital do século XIX, Perestroika, Planeta Favela, Rem Kolhaas, Rockfeller Center, Ruinas do futuro, Sonho americano, Star system da arquitetura, Steven Graham, Susan Buck-Morse, Susan Sontag, Skyscraper, Transurbanização, Urbanismo militar, Walter Benjamin

Licença

Creative Commons License

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.

ISBN

978-65-00-31187-7

Detalhes sobre essa publicação