De "Opinião 65" à 18a Bienal

[1986]

Autores

Otília Beatriz Fiori Arantes

Sinopse

Publicado em 1986, este ensaio de Otília Arantes propõe uma revisão crítica das Artes Plásticas nos 20 anos de Ditadura, da mostra Opinião 1965, que se pretendia explicitamente de resistência, à Bienal de 1985, cuja marca era dada pelo grande corredor dedicado à pintura autodenominada neoexpressionista, do qual participavam, lado a lado, pintores estrangeiros e nacionais. Se, nas mostras da década de 60, as obras nelas expostas, vinham acompanhadas de manifestos neovanguardistas e negava qualquer identificação com a arte internacional — mesmo com o pop americano, cuja proximidade formal era inegável, mas que, entre nós, à diferença da matriz, teria adotado um tom francamente disruptivo e de protesto —, na 18ª Bienal, ao contrário, o que se via era a adesão sem restrições à internacionalização da nossa pintura. Perdia-se assim, na enfática advertência da Autora, a memória da “matéria brasileira”, ainda que o expressionismo tenha sido talvez a pintura mais adequada à nossa Modernidade, ao menos na visão de Mário de Andrade. Ora, esses novos expressionistas procuravam justamente se desfiliar daquela pintura modernista, também exposta nessa Bienal, vista por eles como um “subcubismo”, abrindo mão de nossa arte próxima ou distante para buscar inspiração diretamente nos grandes nomes estrangeiros. Surto internacionalista que talvez se possa explicar, retrospectivamente, como estando em sintonia com a ilusão do momento: de que o Brasil finalmente acertava o passo com o mundo desenvolvido. A parte mais alentada do ensaio, no entanto, é relativa às nossas artes plásticas no período que vai do Golpe ao AI-5, quando os artistas ainda tinham espaço para um certo “exercício da liberdade”, na expressão de Mário Pedrosa, e pretendiam, ao fazer arte, estar fazendo política. Esse esforço de guerra ao status quo é reconstituído pela Autora tendo como referência principal a figura de Hélio Oiticica e o surgimento do Tropicalismo, com todas as suas “ambivalências” – como a entendia e pregava Oiticica: combinando à violência predatória, em relação aos valores consagrados e à consciência do subdesenvolvimento, um forte élan construtivo.  Um passado devorado antropofagicamente de forma a nos projetar para o futuro, fechado contudo, pelo menos provisoriamente, a partir de 1970. A volta à figuração, ao cavalete, à pintura bem-comportada, mas também a representação crítica, ou “não-representação”, sempre mais indireta, das manifestações artística do período, são repertoriadas pela Autora para finalmente chegar à revanche dos jovens nos anos 80, concluindo este esforço de revisão em tom empenhado de quase manifesto.

Palavras-chave: 18ª Bienal, Casa7, Galeria Rex, Gerchman, Gregório Gruber, Hélio Oitica, José Resende, Lygia Clark, Mário Pedrosa, Neoexpressinimo, Neovanguarda, Nova objetividade, Opinião 65, Revista Malasartes, Roberto Schwarz, Sérgio Ferro, Tropicália.

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