Resumo de Lucio Costa

[2002]

Autores

Otília Beatriz Fiori Arantes

Sinopse

Em 2002, Lucio Costa completaria 100 anos. O Caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, publicou um número especial em homenagem ao arquiteto e urbanista, em 24 de janeiro, com o artigo de Otília Arantes. Neste “Resumo de Lúcio Costa”, Otília retoma e desenvolve o argumento principal de outro texto, publicado na própria Folha, em 12 de abril de 1996, em resenha do livro Registro de uma vivência, reproduzido, com algumas modificações em Sentido da Formação (Paz e Terra.1997): a saber, que Lucio teria recontado a história da arquitetura brasileira do ponto de vista de um arquitetura já “formada” e que "deu certo", no sentido de ter se completado e num curto período de tempo, que vai do Ministério da Educação aos prédios da Pampulha ou ao Pavilhão da Exposição em Nova York, embora o remate venha a ser Brasília. De manifestações avulsas ao sistema, menos de duas décadas – um aparato de fato impressionante, sobretudo pela perícia técnica demonstrada. “Milagre” que deixaria perplexa a crítica estrangeira. Formação como parte do sistema cultural brasileiro, na acepção empregada por Antonio Candido em Formação da Literatura Brasileira (e Caio Prado e Celso Furtado na formação econômica).  É portanto de formação nacional que se trata, sobre o pano de fundo da sempre presente herança colonial a ser superada. Ao mesmo tempo, como país dependente, o influxo externo permanece preponderante, de tal forma que sua atualização também revela o desajuste na sua origem. Descompasso histórico, que na Arquitetura Brasileira se traduziria por um certo formalismo, cujo viés estetizante acabaria por, paradoxalmente, revelar na periferia a verdade da Arquitetura Moderna na matriz, seu fundo falso por assim dizer. Como se vê, Lucio Costa, historiador e protagonista maior desta história, é quem talvez melhor resuma as contradições e ilusões do próprio Projeto Moderno. Ao mesmo tempo, sua trajetória e a interpretação que dá a ela, é seguramente a chave principal da leitura que a Autora faz do Movimento Moderno.

 

Palavras-chave: Lucio Costa, Niemeyer, Le Corbusier, Escola Nacional de Belas Artes, Arquitetura Moderna, Brasília, História da arquitetura, Formação, Antonio Candido. 

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