Arquitetura simulada

Dois ensaios [1988 e 1993]

Autores

Otília Beatriz Fiori Arantes

Sinopse

Nos dois ensaios que compõem este e-book – “Arquitetura Simulada” (1988) e “Margens da Arquitetura” (1993) – encontram-se os primeiros registros, na obra de Otília Arantes, da produção arquitetônica que se seguiu ao esgotamento da Arquitetura dos Modernos. Produção que trazia, enfaticamente, a marca característica do novo Espírito do Tempo: a entrada em cena, aparatosa e espetacular – pois afinal se trata de arquitetura e de sua nova centralidade na ordem capitalista emergente –, de uma das dimensões mais ostensivas do paradigma dito da Comunicação. Acompanhamos assim a metamorfose do formalismo, em que culminara a exaustão dos Movimento Moderno (analisada aqui pela primeira vez nos escritos de Otília), num universo de imagens autorreferidas, elevadas ao paroxismo da imaterialidade do Simulacro. Para explicar essa mutação da Arquitetura depois dos Modernos, a Autora recorre, entre outras providências materialistas, às observações de Walter Benjamin acerca da disciplina tátil do olhar na origem desse triunfo duvidoso da pura visualidade, lembrando que é justamente na arquitetura da cidade que se encontra a matriz dessa civilização do Simulacro. Como é demonstrado já no roteiro do primeiro ensaio. Partindo da espetacularidade fachadística da  arquitetura que fazia publicidade de si mesma na 1ª Bienal de Arquitetura de Veneza (1980), com sua Strada Novissima a lembrar as ruas de Las Vegas, passando pelas fantasias high tech de uma arquitetura de Science Fiction, como a do grupo inglês, do Archigram, ou pela Arquitetura contextual (chamada à época, pela Autora, de “contextualismo crítico”, e que, um pouco nas pegadas de Frampton, pretendia, ao menos neste texto, que pudesse assumir o papel de uma arquitetura de resistência), até chegar àquela arquitetura que se autointitulava “frívola”, na acepção mesma que lhe atribuía Eisenman, ou “fútil” (utilizando o conceito de Derrida, referência teórica explícita do arquiteto). Ou seja, até o limite de uma arquitetura reduzida a um jogo infinito de combinações e desconstruções. Análise retomada e expandida no segundo texto –  apresentação do catálogo de uma exposição de Peter Eisenman no MASP, desta vez concentrando-se na obra paradoxal do arquiteto mais emblemático da virada desconstrucionista.  Um arquitetura que se instala na sua “margem”, outra palavra chave da novíssima filosofia francesa à época.

Palavras-chave:  Adorno, Aldo Rossi, Archigram, arquitetura “frívola”, arquitetura “obscena”, arte de massa, Bienal de Veneza, B. Brecht, C. Lasch, CIAM, Le Corbusier, desconstrução, dobra, experiência e vivência, F. Jameson, K. Frampton, G. Pasqualotto, Hans Hollein, high-tech, Hiper-realismo, J. Baudrillard, J. Derrida, J-F Lyotard, Les Immateriaux, M. Tafuri, Movimento Moderna, P. Portoguesi, P. Eisenman, Pós-estruturalismo, Pós-modernismo, “Presença do Passado”, R. Moore, R. Venturi, Regionalismo crítico, simulacro e simulação, Strada Novissima, Tátil e ótico, W. Benjamin.  

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ISBN

978-65-00-29842-0

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